Beleza importa?

Confesso que sempre foi um desafio para mim falar sobre imagem, moda, beleza e estilo.
Quando comecei meu blog, em 2013, vivi um dilema profundo: falava de moda, tendências e roupas, mas não conseguia enxergar Deus em nada daquilo. Sentia-me distante d’Ele e, por isso, separava esses assuntos da minha fé, considerando-os fúteis. Esse foi, inclusive, um dos motivos que me levou a encerrar o blog. O principal foi o desejo de ser mãe em tempo integral; o segundo, a convicção de que moda e Deus não combinavam — e de que falar sobre isso não fazia sentido.

Mas tudo mudou quando fui convertida em 2017 e comecei a frequentar a nova igreja. Minha forma de vestir passou por transformações: de saias para calças, de mangas  para regatas. Nesse processo vieram mais filhos, e precisei reaprender a lidar com o meu guarda-roupa. Eu sabia muito sobre saias, mas não entendia nada sobre calças; e mesmo estudando moda, sentia-me perdida e frustrada, com muitas peças mas a sensação de não ter nada para vestir.



Foi nesse período que minha grande amiga Karla começou a me incentivar a voltar a falar sobre moda. Eu resistia, dizia que moda e Deus não caminhavam juntos e temia cair de novo na superficialidade de antes. Mas ela insistiu, e graças a esse encorajamento decidi fazer o curso de Consultoria de Imagem e Estilo — mesmo com a Sofia ainda recém-nascida. Foi o único curso que concluí na vida (tentei Direito, Pedagogia, concursos... mas nada me preenchia). Dessa vez, eu sabia: estava no caminho certo.



Aprendi sobre estilos, limpei meu armário, selecionei peças funcionais e descobri o poder das proporções. Foi o início de uma jornada. Como mãe, percebi que estilo e rotina também mudam: queremos estar bonitas, mas precisamos de conforto para amamentar e correr atrás dos filhos. Arrumar-me de manhã e me reconhecer no espelho se tornou um gesto de autocuidado que me fazia bem. Tudo isso aconteceu enquanto eu estava longe do instagram vivendo minha vida totalmente offline.

A Karla não desistia de me incentivar, sempre dizendo: “Você precisa ensinar as mulheres a se vestir assim”. Mas eu ainda me perguntava: será que falar de imagem e beleza realmente importa?

Em 2019, comecei a homeschooling com meus filhos. Foi um mergulho em história, filosofia, literatura, arte e música. Aprendi — e ensinei — a contemplar a beleza da criação, da arte, da música e do aprendizado. Foram anos preciosos, em que lemos Homero, Sócrates, Platão, Os Lusíadas, Shakespeare e Esopo. Descobrimos juntos que a beleza está por toda parte, e esse foi um dos maiores tesouros que guardo.

Ano passado, decidi voltar aos poucos para a internet. Eu amo falar de muitos assuntos, mas é em Deus e em moda que encontro encanto. Então montei um estudo para entender o que a Bíblia diz sobre beleza — e foi como abrir os olhos: percebi que não apenas Deus criou a beleza, mas que Ele é a Beleza. E quando reflito beleza na minha imagem, não estou exaltando a mim, mas apontando para a glória d’Ele.

Passei a observar mais atentamente a criação: flores, árvores, paisagens, animais — tudo carrega a marca da beleza divina. Assim também deveria ser conosco. O problema é que não fomos ensinadas a olhar a beleza desse jeito. O mundo transformou a beleza em fim em si mesma, tornando-a rasa, vazia e passageira. Mas a imagem externa deve refletir a beleza interna; quando está desconectada, não se sustenta.

Hoje entendo: a beleza importa, mas não qualquer beleza. Importa a beleza que nasce de um coração que teme ao Senhor e que se manifesta de forma coerente no exterior. Nosso valor não está na imagem, mas no Deus que nos criou. E quando isso é real, conseguimos equilibrar: está tudo bem se um dia não conseguimos nos arrumar por causa do cansaço, se optamos por tênis em vez de salto, ou se não estamos no “peso ideal” ditado pelo mundo. Mas não está tudo bem viver sempre negligenciando a si mesma, nunca se cuidar, não se reconhecer no espelho e carregar tristeza constante pela própria imagem.

O mundo vive em extremos: de um lado, a beleza forçada e exagerada; de outro, a negligência total. Mas a beleza verdadeira não está nesses extremos — está em refletir o Deus que é belo, pois fomos feitos à Sua imagem e semelhança. E como fazemos isso? 

Quando, de forma intencional, cuidamos do nosso corpo e da nossa imagem, quando escolhemos com carinho as roupas que vestimos, reconhecemos que nossa aparência fala antes mesmo de qualquer palavra. Ela abre portas para como seremos ouvidas e percebidas. E que alegria é saber que, ao me encontrarem, não verão apenas uma imagem bem apresentada, mas ouvirão a mensagem mais preciosa que poderão ouvir: o doce perfume do Evangelho de que somos pecadores mas Jesus Cristo nos salvou

E é por isso que beleza importa. Não como aparência vazia, mas como reflexo da glória de Deus pois sou feita à Sua Imagem e Semelhança e Ele é belo. 




Comentários

  1. Que lindo. O mundo precisa disso ❤️

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  2. Louvo a Deus por pessoas como você, Fer.São instrumento de Deus e voz nesse mundo.Que Ele continue te usando para a Glória Dele.

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